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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Hello?

Os regressos são sempre desconfortáveis.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Eu deixei de ser eu para passar a ser apenas um reflexo no espelho. Alguma coisa tinha de acontecer, mas eu não fiquei para ver. Fugi.

Um pouco como com a cena do cabide, aqueles eternos segundos em que o universo é-te exposto em carne viva, e tu percebes tudo, mas esqueces no momento seguinte.

Anamnesia, é preciso.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Tirado do baú I

I have this little bird in a cage, he’s blue and white like myself. Didn’t I show you the other day? I thought I did. Zeus is his name. Yes, like the god. Isn’t he a nice little bird? O yes, he is. Cute little bird. Nice little bird. Someday I’ll set him free.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Giro é o ângulo

Era a casa do Avô e o Avô era o Avô e não era. Tinha a barba por fazer e o roupão castanho, mas vestiu-se para apanhar o mesmo autocarro que nós. Só que saímos numa paragem e ele continuou viagem.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Down the rabbit hole 4

A Alice contou-me, com uma ponta de aflição na voz, que hoje tinha tido um sonho estranho e mau.

Estava prisioneira, não se sabe bem de quem ou do quê, num quarto. Tinha de mostrar-se alegre, ou pelo menos satisfeita com a sua condição. Talvez a atmosfera fosse um bocado a do 1984, do Orwell. Mostravam-lhe um filme futurista e ela relatava-o à Avó. Qualquer coisa assim.

Para além disso, escolhia uns óculos escuros que lhe ficavam mesmo bem.

Mas, Alice, protestei, nunca te pintaram de óculos escuros!

Ela encolheu os ombros.

quinta-feira, 19 de março de 2009

He thought he saw an Elephant/That practised on a fife*

Ontem a Rosario deixou-nos como trabalho de casa escrever uma composição. Os temas à escolha são:


1. Recentemente foi trabalhar para uma nova cidade. Dê-nos as suas impressões sobre a nova cidade, o local de trabalho, as pessoas, etc..
2. Descreva um sonho que tenha tido.
3. Já nem me lembro o que era porque, como sonho imenso e registo alguns dos meus sonhos (seria útil agora o iDream que eu e o M. inventámos) fiquei-me logo pela opção 2.


Por acaso este noite tive um sonho estranho, cheio de pessoas que conheço de sítios diferentes, uma confusão. Vim a escrevê-lo pelo metro no meu caderno dos gatafunhos (tenho outro em que escrevo só coisas mais pensadas e com letra bonita), mas só agora me lembrei (porque me lembrei do cão de um colega meu) que sonhei também com um cão daqueles com ar perigoso e focinho mais achatado, musculado e branco (não me perguntem raças...), pormenor de que não me lembrei quando estava a registar o tal sonho.


Às vezes acontece-me isso. De manhã não me lembro logo dos sonhos, mas a meio do dia, vem-me a memória de um pormenor do sonho, como se fosse uma memória verdadeira, e de repente lembro-me de tudo (ou quase).


E, como a memória é uma coisa tão traiçoeira e manhosa (dodgy, diria o Richard), tenho medo de um dia me lembrar de um sonho como se de facto o tivesse vivido...


*Primeiros versos da canção do Jardineiro em Sylvie and Bruno (Lewis Carroll)

quarta-feira, 4 de março de 2009

My little finger

A Alice, às vezes, tem medo de coisas estúpidas. Digo-lhe que é apenas uma miúda mimada e ela zanga-se. Diz-me que o título que tenho usado para os seus sonhos, En rêvant, é feio e que Down the rabbit hole fica muito melhor. Concordo e imediatamente faço as alterações.

Eu até gosto dela.

Apesar de ser uma miúda mimada.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Down the rabbit hole 3

Sonhei que ensinava espanhol a uma turma muito heterogénea. Estava lá a J..

Na primeira parte fizemos as apresentações. No intervalo ia-me embora, eles estavam a falar muito alto e eu acabei por nem dizer que íamos fazer o intervalo e que era cerca de 10/15 minutos.
Fui para a rua e estava a chover ou tinha chovido há pouco tempo. Entretanto soube mais tarde que, como eles estavam a fazer muito barulho tinha ido lá um professor substituto (o Herman José) até chegar mesmo a hora do intervalo.
Depois encontrei dois deles no caminho de regresso e disse que começávamos daí ia x minutos.
Quando recomeçámos havia caras novas. Pedi que o resto se apresentasse mas de outra forma, uns faziam perguntas e os outros respondiam para irem praticando.

Mas havia qualquer coisa estranha e má por trás, só não me consigo lembrar o quê.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Life's a Long Song*

O que mais me admira em nós, é essa enorme capacidade para mudar. Mesmo que gastos, marcados, velhos, cansados, há sempre uma nesga de porta aberta para mudar. Sim, não devemos perder demasiado tempo, não devemos abusar da sorte, mas a verdade é que podemos sempre mudar. Sempre.

Porque é uma coisa que vem de dentro e vai para fora e nunca o contrário.

*música de Jethro Tull

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Down the rabbit hole 2

Hoje sonhei que a minha irmã tinha voltado. Estávamos no quarto dos meus irmãos e conversávamos e ela fazia coisas de que não me recordo e eu olhava. E só passados uns segundos me apercebi que era ela, que tinha regressado e eu nem lhe tinha dado as boas-vindas como deve ser. Então, peguei nela com cuidado e ela tornou-se um bebé pequenino, e eu levei-a pela casa cantando-lhe canções de embalar.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

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A Alice disse-me no outro dia que estava assustada.

Às vezes tem imagens caóticas de um mundo que parece real.
Por exemplo, no outro dia, enquanto ia no autocarro, entretinha o seguinte pensamento:

Chegava ao Rato, via a colega C. a caminho do ginásio e gritava: "C.!" e, apressando o passo, tropeçava, batia com a cara no chão, partia dentes e o sangue caía-lhe queixo abaixo em abundância.

Eu disse-lhe, Alice, todos temos essas visões, de vez em quando, é não lhes fazer caso.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Down the rabbit hole

Num longo corredor, a madeira gemia sob os nossos passos.
"E este quarto...", ia dizendo ela, e a luz entrava furtiva em cada divisão, ferindo uma calma escuridão que dormitava.
Era uma casa comprida, antiga, cheirava a campo e a humidade.
Ela parou. Era, de repente, uma criança, e preparava os pulmões para fazer uma birra.

domingo, 21 de setembro de 2008

Alice grew, and grew, and grew

Uma das primeiras coisas de que se apercebem é: a casa encolheu. Ou vocês cresceram. Comigo aconteceu assim.